Esporte

Lima não perdoa

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Foi no dia 29 de novembro de 2025, uma daquelas noites que parecem nascer com cheiro de decisão, que o Palmeiras pisou no gramado de Lima carregando a expectativa de mais uma volta olímpica. Chegou ao Peru como quem já conhece os atalhos das grandes batalhas, mas encontrou um jogo que não perdoa hesitação. Logo ficou evidente que a engrenagem verde, tão afinada em outras jornadas, estava presa em algum canto da altitude, pesada, sem brilho.

O Flamengo percebeu antes de todo mundo. Mordeu, rodou a bola, controlou o clima como quem sabe que final se decide no detalhe, nunca na pressa. E enquanto o relógio avançava, o Palmeiras parecia afundar na própria ansiedade. Abel tentava acordar o time a cada gesto, mas era como se a equipe estivesse vendo tudo à distância, incapaz de atravessar o vidro que separa intenção de execução. O Flamengo não tinha esse problema. Atuou com precisão, serenidade e um certo ar de quem sabe que está pronto. E quando o gol saiu, naquela assinatura reta e cruel, deu a impressão de que não havia outro desfecho possível para a noite.

O Palmeiras buscou reação, mas sempre um passo atrás. A bola que antes obedecia escapava, desviava, sumia no pé rubro-negro. A torcida alviverde, heroica e incansável, gritava o que podia, mas Lima parecia engolir cada decibel. No apito final, a taça ficou no vermelho e preto, e o Verdão voltou para casa com o peso indigesto de uma oportunidade desperdiçada.

O dia em que o gigante amanheceu menor

Não foi falta de raça, nem de camisa. Foi falta de conexão. Falta de jogo. O Palmeiras que encantou em tantas noites simplesmente não desembarcou em Lima. E numa final de Libertadores, ausência custa caro. A derrota para o rival dói mais, claro. Machuca a memória, cutuca o orgulho. Mas também ensina, e o Palmeiras, se tem algo que sabe fazer bem, é aprender rápido.

A crônica de hoje termina com o título perdido, mas a história do clube ainda tem páginas demais para serem escritas. E às vezes, perder uma final é o tipo de cicatriz que empurra um time ainda mais longe. Hoje, Lima é ferida. Amanhã, pode ser combustível.

Fotos: Cesar Greco – Palmeiras

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