A virada histórica de Lula: presidente recupera mais de 10 milhões de votos e conquista o quarto mandato
Após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula ampliou sua votação e venceu com 51,79% dos votos válidos. Em Campinas, o presidente também cresceu nas urnas, embora o adversário tenha mantido a maioria no município.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após conquistar mais de 10 milhões de votos adicionais entre os dois turnos das eleições de 2026. Com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença de 4.430.191 votos garantiu ao petista seu quarto mandato presidencial, um feito inédito na história política brasileira.
O resultado inverteu a classificação do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro havia terminado à frente, com 56.104.268 votos, contra 53.876.617 de Lula. Em três semanas, o presidente ampliou sua votação em 10.379.615 votos, enquanto o adversário acrescentou 3.721.773. O crescimento foi suficiente para superar a desvantagem inicial e conquistar a maioria dos votos válidos.
A virada também interrompeu uma sequência observada desde a primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, em 1989. Até então, todos os candidatos que lideraram o primeiro turno e disputaram a etapa decisiva haviam confirmado a vitória. Em 2026, pela primeira vez nesse período, o segundo colocado conseguiu reverter o resultado.
A participação dos eleitores aumentou entre as duas votações. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para aproximadamente 19,2% no segundo, quando cerca de 128,2 milhões de brasileiros compareceram às urnas. Os resultados mostram crescimento na votação dos dois candidatos, mas não permitem determinar individualmente de onde vieram os votos adicionais.
Mobilização nas ruas e nas redes
A campanha do segundo turno foi marcada pela intensificação das atividades presenciais e digitais. Movimentos sociais, sindicatos, estudantes, artistas e organizações da sociedade civil participaram de manifestações em diferentes regiões do país. No sábado (24), véspera da votação, apoiadores de Lula realizaram um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com a presença do presidente.
As plataformas digitais também tiveram espaço na estratégia de campanha. O deputado federal André Janones (Rede-MG) coordenou ações de mobilização pela reeleição, entre elas o canal de WhatsApp Exército do Lula, que reuniu milhões de participantes durante a disputa.
Após a confirmação do resultado, Lula agradeceu publicamente a Janones e pediu que o grupo permanecesse mobilizado. O reconhecimento ocorreu durante a comemoração na Avenida Paulista, onde o presidente voltou a destacar a defesa da soberania nacional.
Na mesma celebração, Lula pediu que os apoiadores cantassem novamente o Hino da Independência, repetindo o gesto realizado no ato de sábado. A música foi associada pelo presidente à defesa da autonomia brasileira diante de pressões externas, tema recorrente em seus pronunciamentos durante a campanha.
Lula também retomou críticas à atuação de grandes empresas estrangeiras de tecnologia. Segundo o presidente, plataformas digitais tentaram influenciar o processo eleitoral brasileiro. A declaração expressa a avaliação apresentada por ele após a vitória.
Lula agradece a Alckmin e anuncia mudanças no governo

Foto: Ricardo Stuckert
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), reeleito na chapa de Lula, participou dos pronunciamentos e das comemorações da vitória. Lula agradeceu ao companheiro de chapa pela lealdade e pela participação na campanha, destacando a parceria construída desde a eleição de 2022.
Na Avenida Paulista, Alckmin agradeceu aos eleitores, com menções aos jovens, às mulheres e aos idosos. Ao comentar o resultado, afirmou que Lula havia salvado a democracia brasileira pela segunda vez.
Em seu primeiro pronunciamento após a confirmação da vitória, realizado em um hotel na capital paulista, Lula anunciou que pretende ampliar a participação popular nas decisões do Executivo e dar maior espaço à comunicação digital no próximo mandato.
“Nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões”, afirmou o presidente, ao defender mudanças na relação entre o governo e a população.
Lula também declarou que pretende utilizar os canais digitais para ampliar a comunicação direta com os brasileiros e voltou a defender a regulamentação das grandes empresas de tecnologia. Segundo o presidente, práticas criminosas cometidas na internet devem receber tratamento equivalente ao de crimes praticados fora do ambiente digital.
Educação, saúde e tecnologia entre as prioridades
Entre os compromissos apresentados para o próximo mandato estão a ampliação da educação em tempo integral e a expansão do programa Pé-de-Meia, atualmente destinado a estudantes do ensino médio público, para o ensino superior.
Na saúde, Lula anunciou a intenção de modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS), com investimentos em novas tecnologias e melhoria da estrutura de atendimento. Também mencionou a ampliação dos serviços de tratamento do câncer e a utilização de recursos tecnológicos em unidades hospitalares.
O desenvolvimento da economia digital foi outro tema do pronunciamento. O presidente defendeu a instalação de centros de processamento de dados no Brasil e a criação de tecnologias nacionais de inteligência artificial, associando essas propostas à disponibilidade de fontes renováveis de energia.
Na segurança pública, Lula defendeu uma participação mais ativa do governo federal no enfrentamento à criminalidade. O presidente afirmou que os estados não conseguem responder sozinhos aos problemas da área e voltou a defender mudanças na distribuição de responsabilidades. Ao encerrar o pronunciamento, resumiu seu compromisso:
“Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão.”
As medidas anunciadas dependerão de definições administrativas e orçamentárias e, nos casos que exigirem mudanças legais, de aprovação pelo Congresso Nacional.
Lula amplia votação em Campinas e reduz diferença entre os dois turnos
O avanço de Lula entre os dois turnos também foi registrado em Campinas, embora Flávio Bolsonaro tenha vencido as duas votações no município.
No primeiro turno, Lula recebeu 241.972 votos, enquanto Flávio obteve 329.733. No segundo, o presidente reeleito chegou a 303.914 votos, contra 360.222 do adversário. Lula acrescentou 61.942 votos à sua votação inicial, enquanto Flávio ganhou outros 30.489.
Com isso, a vantagem do candidato do PL caiu de 87.761 para 56.308 votos. Flávio terminou o segundo turno com 54,24% dos votos válidos em Campinas, enquanto Lula recebeu 45,76%.
O comparecimento também aumentou. Segundo os dados eleitorais, 690.355 pessoas votaram no segundo turno, ante 667.699 na primeira votação. A abstenção caiu de 23,57% para 20,97% do eleitorado.
A disputa presidencial também mobilizou lideranças políticas locais. O prefeito Dário Saadi apoiou Flávio Bolsonaro, enquanto o vice-prefeito Wanderley de Almeida, conhecido como Wandão (PSB), participou da campanha pela reeleição de Lula.
Na véspera da eleição, apoiadores de Lula realizaram uma caminhada da Estação Cultura até o Largo do Pará. Já os apoiadores de Flávio Bolsonaro promoveram atividades de campanha no Teatro de Arena, localizado no Centro de Convivência Cultural de Campinas.
Na noite de domingo (25), a confirmação da reeleição de Lula levou apoiadores às ruas do centro de Campinas. A comemoração teve como ponto de concentração o Largo do Pará e se estendeu por trechos da Avenida Francisco Glicério, com bandeiras, palavras de ordem e manifestações de alegria. Entre os participantes estavam o vice-prefeito Wandão, o ex-deputado Pedro Tourinho, as vereadoras Guida Calixto, Paolla Miguel e Mariana Conti, além de Gustavo Petta. A celebração reuniu apoiadores e lideranças políticas locais em torno do resultado da eleição presidencial.
Diplomação em dezembro e posse em janeiro
Lula e Geraldo Alckmin tomarão posse para o novo mandato em 5 de janeiro de 2027, em cerimônia no Congresso Nacional, em Brasília. Será a primeira posse presidencial realizada nessa data, em substituição ao tradicional 1º de janeiro. A mudança foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021, que também transferiu a posse dos governadores e vice-governadores para 6 de janeiro.
Antes disso, os eleitos deverão ser diplomados pelo Tribunal Superior Eleitoral até 18 de dezembro de 2026. A diplomação é o ato pelo qual a Justiça Eleitoral confirma formalmente o resultado da eleição e habilita os vencedores a assumir seus cargos.

