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Dos ‘cérebros’ ao coração: memória, emoção e futuro marcam as comemorações dos 60 anos da Unicamp

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Evento aberto ao público no Teatro de Arena reuniu homenagens, momentos simbólicos e música


“Cérebros, cérebros, cérebros”. A famosa frase que resume a missão de Zeferino Vaz ao fundar a Unicamp, em 1966, abriu espaço para um outro elemento igualmente importante seis décadas depois: o coração. A cerimônia festiva pelos 60 anos da Universidade foi realizada na noite de segunda-feira (5), no Teatro de Arena, com uma programação que reuniu música, homenagens, memórias e diversos momentos simbólicos.

O evento contou com a participação do reitor, Paulo Cesar Montagner, do coordenador geral, Fernando Coelho, além das pró-reitoras e de diretores, docentes, servidores, representantes de outras instituições e alunos. Uma apresentação de integrantes da Orquestra Sinfônica da Unicamp encantou os presentes logo no início. A festa seguiu com um vídeo institucional contando um pouco da história percorrida até os dias de hoje. Um “Parabéns a Você” foi tocado com os músicos em meio à plateia enquanto um bolo surgiu para celebrar o momento.

O reitor agradeceu às pessoas que contribuíram para a construção da Universidade e destacou seu papel na sociedade. Ao projetar o futuro, comparou a instituição a universidades centenárias, como as de Bolonha, na Itália, e de Coimbra, em Portugal. “Quero fazer um agradecimento a todas as pessoas da nossa comunidade e aos nossos antecessores, as pessoas que chegaram aqui antes da gente, além de todos os colegas das outras universidades, as pessoas que nos ajudam todo dia por aqui e a sociedade do nosso entorno”, declarou.

Montagner ressaltou ainda o significado da celebração dos 60 anos e a importância de preservar a memória da instituição. “A Unicamp realmente é uma universidade fantástica, capaz de realizar coisas muito bonitas. Tenho certeza de que, continuando assim, terá ainda uma vasta história para construir no país”, completou o reitor.

Multidisciplinar

Ao relembrar sua trajetória, Coelho contou que seu primeiro contato com a Universidade ocorreu ainda antes de fazer parte dela. Carioca e formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele se recordou de uma reportagem publicada no Jornal do Brasil sobre o projeto da Unicamp, que previa uma universidade organizada a partir de centros básicos, favorecendo o encontro entre diferentes áreas do conhecimento e o desenvolvimento de uma instituição multidisciplinar. “Achei aquela ideia bastante impressionante e, naquele momento, isso me cativou”, disse o coordenador geral.

Há 30 anos na Universidade, ele considerou sua trajetória uma realização profissional e comentou a rápida evolução da instituição, que em seis décadas alcançou maturidade e reconhecimento internacional. Segundo Coelho, cabe à comunidade universitária criar as condições para que a Unicamp continue crescendo, expandindo sua atuação sem abrir mão da qualidade. “A gente tem que sonhar, pensar realmente no futuro e para onde nós vamos. Que a Unicamp siga ampliando seu reconhecimento e seu compromisso com a sociedade”, apontou.

Vida

Chamada ao palco, a pró-reitora de Pesquisa, Ana Frattini, contou sobre a relação pessoal com a Universidade ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional. Ela afirmou que a Unicamp e sua própria vida “se entrelaçam” e que a Universidade representa “simplesmente tudo” para ela. Aos 61 anos, Frattini contou que escolheu a Unicamp ainda no colégio técnico e ingressou no curso de Engenharia em 1985, permanecendo desde então ligada à instituição. Ela agradeceu a confiança da comunidade universitária e desejou vida longa à instituição.

Já Cláudia Morelli, pró-reitora de Pós-Graduação, destacou a relação histórica entre a Universidade e o município de Campinas. Nascida na cidade, em 1966, ela afirmou não se lembrar de sua terra natal sem a presença da Unicamp na paisagem e ressaltou o impacto da Universidade na formação de profissionais e na produção de conhecimento. “Precisamos destacar a qualidade da formação oferecida e a contribuição dos egressos, que levam conhecimentos e experiências da Unicamp para diferentes regiões do país. A ciência e a inovação fazem parte do DNA da Universidade, e é preciso que a produção acadêmica esteja cada vez mais conectada às necessidades da sociedade”, ressaltou.

Transformação

A pró-reitora de Graduação, Mônica Cotta, destacou o papel da educação pública na transformação de vidas. Também campineira, ela contou que cresceu em uma família com poucos recursos e que seus pais sempre consideraram a educação o principal caminho para mudar essa realidade. Cotta lembrou que teve a oportunidade de estudar na Unicamp, inicialmente no curso de Processamento de Dados do Centro de Computação do Cotuca (Colégio Técnico de Campinas) e, posteriormente, cursou graduação e pós-graduação, com apoio de bolsas de pesquisa. Depois de uma temporada nos Estados Unidos, retornou à instituição como docente. “A educação transforma vidas, transformou a minha”, agradeceu.

A pró-reitora disse ainda que seu compromisso é contribuir para que outros estudantes também tenham na Universidade uma oportunidade de transformação. “Eu espero que a transformação que a minha vida sofreu por conta dessa universidade também ocorra para todos e todas que estão aqui dentro”, afirmou.

Rock

O fechamento da noite ficou por conta da banda Class Rock – projeto musical que transforma grandes clássicos do rock internacional em versões instrumentais, nas quais o violino, muitas vezes, assume o papel de vocalista principal. O resultado foi muita energia no palco e na plateia para celebrar essa marca histórica.