Esporte

Guarani aprova criação da SAF; entenda o que muda agora

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Associados deram 95,1% de aprovação à constituição da empresa, mas eventual entrada de um investidor ainda terá de passar por novas etapas

Os associados do Guarani aprovaram a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), abrindo caminho para uma mudança na estrutura jurídica e no modelo de gestão do futebol do clube. A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária realizada na sexta-feira (2), com participação presencial e online, e recebeu 95,1% dos votos.

A aprovação não significa, porém, que o futebol do Guarani tenha sido vendido. Neste momento, o clube autorizou a constituição da empresa que poderá receber investimentos e ter participação transferida no futuro. A entrada de um investidor e as condições de uma eventual venda ainda dependerão da apresentação e aprovação de uma proposta.

O que os associados aprovaram

A SAF permite que a atividade do futebol seja organizada como uma empresa, com patrimônio, receitas, despesas e administração próprios. No caso do Guarani, a decisão dos associados autorizou a constituição dessa estrutura, mas não definiu quem será um eventual investidor nem quanto será investido.

A distinção ajuda a entender o momento atual do processo. Uma coisa é autorizar a criação da SAF; outra é aprovar a transferência de ações para um investidor. A primeira etapa foi concluída na sexta-feira. A segunda ainda dependerá de uma proposta que cumpra os procedimentos previstos pelo clube.

Proposta anterior foi retirada

Antes da assembleia, o Guarani negociava com o empresário Roberto Graziano, dono da Magnum, uma proposta para aquisição de 90% das ações da SAF. O documento deixou de ser submetido à votação depois que o investidor retirou a oferta em meio a questionamentos sobre alterações feitas durante as negociações, principalmente em cláusulas relacionadas a multas e garantias.

A proposta retirada previa investimentos que poderiam alcançar R$ 1,075 bilhão ao longo do projeto. Desse total, estavam previstos R$ 400 milhões para a operação do futebol e do clube social, R$ 300 milhões para um novo estádio, R$ 25 milhões para um centro de treinamento e até R$ 350 milhões relacionados ao passivo da recuperação judicial. Como a proposta foi retirada, esses valores não representam recursos contratados ou garantidos ao Guarani.

O que acontece agora

Com a autorização dos associados, o Guarani pode avançar na constituição da SAF. Para que um investidor passe a controlar parte das ações, entretanto, será necessária uma proposta com as condições da operação, os investimentos previstos, as obrigações assumidas e as garantias oferecidas.

Essa proposta terá de percorrer as instâncias previstas pelo clube antes de uma eventual transferência do controle acionário. Até que esse processo seja concluído, a aprovação de sexta-feira deve ser entendida pelo torcedor pelo que efetivamente representa: o Guarani autorizou a criação da SAF, mas ainda não vendeu o controle de seu futebol.