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Vinho cozido: quando o descuido compromete a taça

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Masterclass da Abrabe na ProWine São Paulo mostra como a má conservação e a falsificação afetam a bebida e reforça a importância da compra legal

Você sabe o que é vinho cozido? A pergunta abre a masterclass promovida pela Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) durante a ProWine São Paulo 2025. O termo é usado para definir o vinho que perdeu suas características originais por falta de cuidados adequados, geralmente após exposição excessiva ao sol ou a altas temperaturas, o que geralmente acontece no transporte e armazenamento dos vinhos contrabandeados. A sessão será conduzida pela presidente da entidade, Cristiane Foja, junto ao crítico e comunicador de vinhos Didu Russo.

Evite cair na tentação do chamado “canto da sereia” diz Didu Russo / Foto: Reprodução Redes Sociais

Segundo ele, não é simples descrever sem a experiência da prova quais características sensoriais denunciam que um vinho passou por esse tipo de dano. De modo geral, torna-se mais adocicado e lembra, em certa medida, a percepção de um vermute.

“Existem inúmeras formas práticas de o consumidor identificar que um vinho está comprometido antes mesmo de consumi-lo. Visualmente, características do contra-rótulo é um dos sinais, como a ausência do número de registro do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e as informações em português sobre o importador. Ao desarrolhar, o vinho adulterado costuma oferecer mais dificuldade. Já no nariz e na boca, as evidências são ainda mais nítidas, sobretudo para quem conhece o vinho original”, explica Didu.

Para o expert, a principal forma de bares, restaurantes, sommeliers e lojistas protegerem seus clientes — e também seus próprios negócios — é evitar a tentação do chamado “canto da sereia”. Ou seja, não recorrer a fornecedores duvidosos e garantir a compra apenas de importadores legais, que cumprem todas as exigências, ainda que onerosas, impostas pelo governo e que acabam encarecendo o vinho.

Sobre como um vinho chega ao estado de “cozido”, Didu explica que tanto a má conservação quanto a adulteração e a falsificação podem ser causas. No caso de falsificação, o risco é ainda maior, já que não se sabe exatamente o que há dentro da garrafa. Já em situações de descaminho — muitas vezes tratado equivocadamente como contrabando —, o problema está diretamente ligado às condições precárias de transporte e armazenamento.

“Espero que o público, experimentando lado a lado, um vinho corretamente armazenado e legalmente importado, por tanto sem adulteração e corretamente acondicionado, perceba a enorme diferença sensorial entre o vinho correto e o cozido. Participar dessa degustação significa saber que mais que o danoso e pernicioso problema econômico, hoje enfrentamos o problema do crime organizado. Quem compra um vinho ilegal está ajudando a financiar o crime organizado. As pessoas precisam se conscientizar disso. É muito grave”, afirma Didu.

A masterclass “Você sabe o que é vinho cozido?”, promovida pela Abrabe e ministrada por Cristiane Foja e Didu Russo, será no dia 2 de outubro, das 18h30 às 19h30, no ProWine Forum – Sala 3.

Você confere a programação completa e pode se inscrever exclusivamente pelo aplicativo da ProWine São Paulo. Baixe agora pela loja do seu smartphone. As vagas são limitadas.

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