A Macaca e o Manual de Como Levar Quatro Sem Aviso Prévio
O Moisés Lucarelli amanheceu hoje com aquela cara de quem pergunta ao vento: “O que foi que aconteceu ontem?”. E o vento, coitado, ainda está tentando entender como a Ponte Preta conseguiu transformar um jogo de futebol em uma experiência pedagógica para o Londrina. Uma aula completa: introdução, desenvolvimento, conclusão e quatro carimbos no boletim.
O apito inicial parecia até promissor. A Ponte entrou em campo com aquela esperança inocente de quem acredita que desta vez vai dar certo. Só que logo ficou claro que a Macaca estava mais para novela mexicana do que para campeonato nacional. A bola escapava, os espaços apareciam, e o Londrina passou a noite inteira se sentindo dono da casa, proprietário do terreno e herdeiro do gramado.
Quando saiu o primeiro gol, o estádio ainda deu um sorrisinho amarelo, como quem finge naturalidade. Um sorriso curto, desses que duram menos que promessa de campanha. A partir do segundo gol, já não havia mais espaço para filosofia. O terceiro foi aquele que faz o torcedor levantar a mão ao céu, não para agradecer, mas para perguntar se Deus está mesmo assistindo ao jogo. O quarto então… o quarto entrou com a sutileza de uma porta batendo às três da manhã. A torcida olhou ao redor como quem procura câmeras escondidas, esperando que alguém aparecesse com o microfone e dissesse: “era só uma brincadeira”.
Mas não era. Nunca é.
No banco, a Ponte parecia estudar astrofísica. O Londrina, por sua vez, estudava só o básico: chutar, correr e aproveitar o adversário completamente desligado da realidade. A cada ataque paranaense, um suspiro coletivo. A cada defesa inexistente, uma prece silenciosa. E quando enfim saiu o gol de honra da Macaca, a arquibancada nem teve força para vibrar. Gol de honra em goleada é como flor em enterro: bonito, mas não muda nada.
No apito final, o estádio parecia uma reunião de condomínio depois de aumento na taxa. Silêncio ressentido, pessoas olhando pro chão, alguém culpando o azar, outro culpando o técnico, outro culpando a lua. Só não culpam o Londrina, porque o Londrina, convenhamos, só fez o que qualquer visitante educado faria: pegou os presentes que a Ponte ofereceu.
E assim termina mais uma noite de futebol em Campinas, essa cidade que já viu alegrias maiores, tragédias menores e que, mesmo assim, insiste em acompanhar a Macaca fielmente, como quem ama e sofre, sempre acreditando que o próximo capítulo pode ser melhor.

