Espetáculo “As Aves da Noite”, de Hilda Hilst, tem apresentação gratuita em Campinas
Montagem premiada será encenada no Teatro Castro Mendes em 16 de outubro, com acessibilidade em Libras e bate-papo com o público
O espetáculo “As Aves da Noite”, drama teatral escrito por Hilda Hilst, há 57 anos, vencedor do Prêmio APCA 2022 de Melhor Espetáculo Virtual, terá apresentação gratuita em Campinas. A sessão acontece no dia 16 de outubro, quinta-feira, no Teatro Municipal José de Castro Mendes, às 20h, com intérprete de Libras e bate-papo com a plateia no final.
A encenação, em um campo de concentração nazista de Auschwitz, tem direção de Hugo Coelho e elenco formado por Marco Antônio Pâmio, Marat Descartes, Regina Maria Remencius, Rafael Losso, Walter Breda, Fernando Vítor, Marcos Suchara, Wesley Guindani e Heloisa Rocha.
Além da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo em Campinas, o projeto tem o apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura por meio do Edital ProAC/PNAB nº 27/2024 de Difusão e Circulação de Projetos Artísticos Culturais.
Enredo de “As Aves da Noite”
O enredo de “As Aves da Noite” parte da história real do padre franciscano Maximilian Kolbe que, apresentou-se voluntariamente para ocupar o lugar de um judeu sorteado para morrer no chamado “porão da fome” em represália à fuga de um prisioneiro.
Segundo o diretor Hugo Coelho, esta é uma versão contemporânea do texto de Hilda. “Não é uma reconstituição de Auschwitz, partimos de Auschwitz. O espetáculo é um grito contra a barbárie, contra o fascismo que usa a violência como instrumento de ação política”.
No porão da fome, a autora coloca em conflito os prisioneiros condenados a morrer na cela: o Padre, o Carcereiro, o Poeta, o Estudante e o Joalheiro, que são visitados pelo Oficial da SS, pela mulher que limpa os fornos e por Hans, o ajudante da SS.
Na montagem, eles aparecem isolados, confinados em gaiolas como um signo, uma alusão à prisão onde a história se passa. “A primeira coisa que os governos totalitários e ditatoriais fazem ao prender alguém é destituí-lo de sua dignidade e submetê-lo ao sofrimento extremado, e isso os nazistas fizeram com requintes inimagináveis de crueldade”, comenta o diretor.
Ele ainda afirma que a proposta de concepção de Hilda Hilst é muito clara, colocando as personagens em estado de reflexão sobre suas próprias condições no confinamento. A leitura que a autora faz dos aspectos éticos e humanos passa por questionamentos sobre Deus, sobre o mal e sobre a crueldade.
Nos diálogos estão o embate entre a vida e o que lhes resta, os devaneios entre o desespero e o delírio. O Poeta declama como se morto estivesse, o Estudante sonha com outro tempo, o Joalheiro ainda lembra-se da magnitude das pedras, enquanto a Mulher é humilhada em sua condição inferior. O Carcereiro, mesmo sendo um condenado, ironiza a condição dos demais e os trata com escárnio; o SS os chama de porcos e os agride e menospreza, enquanto o estado de debilidade emerge da vida e da já não existência desses humanos subjugados.
- Serviço | Espetáculo: As Aves da Noite
Duração: 75 min. Gênero: Drama. Classificação: 16 anos.
Ingressos: Gratuitos – Bilheterias dos teatros: 1h antes das sessões.
Ingressos antecipados: Sympla – www.sympla.com.br (reserva no início da semana)
Local: Teatro Municipal José de Castro Mendes – Campinas
Quando: Dia 16 de outubro – Quinta, às 20h
Endereço: Rua Conselheiro Gomide, 62 – Vila Industrial. Campinas/SP.
Tel.: (19) 3272-9359. Capacidade: 760 lugares.
Sessão com Intérprete de Libras e bate-papo com o público.
Fonte: Assessoria de Imprensa / Foto: Heloisa Bortz

