Arte e meio ambiente se encontram em exposição internacional que começa nesta quarta em Campinas
Broken Forests reúne artistas do Brasil e do Canadá e leva exposições, performances e atividades ambientais à PUC-Campinas, Mata Santa Genebra, Cambuí e Sousas
Arte contemporânea e preservação ambiental se encontram a partir desta quarta-feira (5) em Campinas com a abertura da Broken Forests Brasil 2026 – Endangered Forests. A exposição internacional reúne artistas brasileiros e canadenses em uma programação que passa por quatro espaços da cidade e propõe reflexões sobre biodiversidade, conservação, mineração, exploração madeireira e incêndios florestais.
A abertura será às 19h20, na Galeria H7 da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas, no Campus I. A programação segue até sábado (8) em diferentes pontos de Campinas, enquanto as obras expostas na universidade poderão ser visitadas até segunda-feira (10). A entrada é gratuita.
O projeto aproxima experiências de dois ecossistemas bastante distintos: as florestas boreais do Canadá e o Cerrado brasileiro. Fotografias, instalações e performances são utilizadas para discutir a relação entre sociedade e natureza e apresentar diferentes perspectivas culturais sobre os desafios da conservação ambiental.
Do Canadá ao Cerrado brasileiro
As obras apresentadas em Campinas são resultado também de uma experiência realizada fora das galerias. Durante duas semanas, integrantes do projeto percorreram áreas de São Paulo e Minas Gerais em uma residência artística voltada ao Cerrado.
O grupo visitou unidades de conservação, manteve contato com pesquisadores, ativistas ambientais e lideranças indígenas e conheceu áreas como o Cerrado de Viracopos e a Serra da Canastra. As experiências nesses territórios serviram de inspiração para pesquisas e intervenções artísticas que agora chegam ao público.
Criado em 2019, o Broken Forests é um coletivo internacional formado por artistas, curadores e naturalistas do Canadá, Brasil, Polônia e Coreia do Sul. O grupo desenvolve projetos em regiões ambientalmente ameaçadas e utiliza a arte como instrumento para provocar discussões sobre questões socioambientais.
Na edição realizada em Campinas, participam os artistas canadenses Christine Walde, Dermot Wilson, Don Chrétien, Ed Pien, Gwen MacGregor, Jessie Demers, Johannes Zits, lwrds duniam, Paul Walde e Quan Steele. A produção e a curadoria são de Dermot Wilson, Norma Vieira e do professor Matheus Reis, da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas.
Florestas como territórios de memória
Um dos aspectos presentes no projeto é a aproximação entre conhecimentos artísticos, ambientais e indígenas.
O artista Don Chrétien, integrante da Nação Anishinaabe, do Canadá, chama a atenção para uma compreensão das florestas que ultrapassa a ideia de paisagem. Para ele, esses ambientes também são territórios vivos de memória, conhecimento e pertencimento, percepção que encontra pontos de contato com a relação dos povos indígenas brasileiros com seus territórios.
A artista canadense Jessie Demers também destaca a colaboração construída em torno das preocupações socioambientais compartilhadas pelos participantes. A convivência entre artistas de diferentes origens, segundo ela, cria espaço para um diálogo intercultural capaz de produzir novas perspectivas sobre os desafios ambientais.
Para o professor Matheus Reis, a exposição permite inserir as questões ambientais no universo da arte contemporânea e discutir a preservação do Cerrado a partir do olhar de artistas internacionais.

Programação começa na PUC-Campinas
A abertura desta quarta-feira começa às 19h20 na Galeria H7. Depois da apresentação da exposição, estão previstas duas performances. Às 20h, a artista canadense lwrds duniam apresenta WALA (firewitch). Às 21h, Quan Steele apresenta One Forest, Many Voices.
Na quinta-feira (6), a programação deixa a galeria e entra em contato direto com uma das principais áreas naturais de Campinas. A partir das 14h, a Mata Santa Genebra recebe uma caminhada guiada pela floresta. Em seguida, Johannes Zits e Cristiano Cerejo apresentam a performance de longa duração Interações compartilhadas: convergência de água e solo. Às 17h, haverá um encontro entre participantes e artistas na Nave na Mata.
Na sexta-feira (7), às 18h, será aberta outra etapa da exposição na Galeria FOTO PONTO, no Cambuí.
A programação prossegue no sábado (8), no TOTE Espaço Cultural, em Sousas. A abertura ocorre às 14h. Às 16h, Quan Steele e Norma Vieira apresentam a performance Journey of the Unseen. Às 18h, lwrds duniam apresenta novamente WALA (firewitch) e, às 19h, a Brokenz Band encerra as atividades com uma apresentação musical.
Serviço
Broken Forests Brasil 2026 – Endangered Forests
Abertura: quarta-feira, 5 de agosto, às 19h20
Local: Galeria H7 – Faculdade de Artes Visuais, Campus I da PUC-Campinas
Visitação na PUC-Campinas: de 5 a 10 de agosto
Entrada: gratuita e aberta ao público
Programação em Campinas: atividades também na Mata Santa Genebra, Cambuí e Sousas.

