Inteligência artificial da Unicamp avança na tradução entre Libras e português
Pesquisa desenvolve tecnologias capazes de reconhecer a Língua Brasileira de Sinais e traduzi-la para o português, além de fazer o caminho inverso com auxílio de avatares digitais
Uma conversa entre uma pessoa surda que utiliza Libras e outra que não conhece a língua ainda pode depender da presença de um intérprete ou de outras formas de comunicação. Uma pesquisa desenvolvida na Unicamp pretende usar inteligência artificial para ajudar a reduzir essa barreira.
O trabalho busca desenvolver tecnologias capazes de realizar a tradução automática entre a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o português nos dois sentidos: reconhecer sinais apresentados em imagens ou vídeos e transformá-los em texto, além de converter textos em português para Libras.
A pesquisa é desenvolvida pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento Tecnologia Assistiva e Acessibilidade em Libras (CCD/Taal), sediado na Unicamp e coordenado pelo professor José Mario De Martino, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec). O centro foi criado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Inteligência artificial tenta compreender os sinais
Um dos desafios tecnológicos está no reconhecimento da própria Libras.
Diferentemente de um sistema que trabalha apenas com palavras escritas ou voz, a tecnologia precisa interpretar informações apresentadas visualmente. O projeto prevê pesquisas para reconhecer Libras a partir de imagens e vídeos e, posteriormente, realizar a tradução do conteúdo para textos em português.

No caminho inverso, a proposta é receber um texto em português, realizar sua tradução e apresentar o resultado em Libras por meio de avatares digitais.
Esses personagens precisam reproduzir movimentos humanos com fidelidade suficiente para permitir a compreensão da mensagem, o que torna a tarefa mais complexa do que simplesmente associar uma palavra a determinado gesto.
Clara ajuda a transformar texto em Libras
Entre as tecnologias apresentadas pelos pesquisadores está Clara, um avatar tridimensional desenvolvido com participação de estudantes da área de computação gráfica da Feec.

A personagem integra os esforços para criar uma interface capaz de apresentar em Libras conteúdos processados pelo sistema.
O desenvolvimento de avatares realistas já estava entre os objetivos estabelecidos pelo CCD/Taal desde sua criação. A intenção é que eles consigam reproduzir os movimentos necessários à comunicação em Libras com elevado grau de fidelidade.
Tecnologia pode ampliar a acessibilidade
Uma ferramenta capaz de estabelecer essa ponte entre Libras e português abre possibilidades em situações cotidianas nas quais pessoas surdas e ouvintes precisam se comunicar.
O potencial da pesquisa, portanto, não está apenas no avanço da inteligência artificial. A tecnologia é desenvolvida como instrumento de acessibilidade e inclusão, buscando diminuir barreiras linguísticas enfrentadas por pessoas surdas.

O projeto faz parte de uma iniciativa mais ampla de desenvolvimento de tecnologias assistivas. Quando os centros foram anunciados, em 2024, a Unicamp passou a sediar dois projetos voltados às pessoas com deficiência, incluindo o CCD/Taal.
Pesquisa ainda está em desenvolvimento
Apesar dos avanços apresentados pela Unicamp, é importante fazer uma distinção: trata-se de tecnologia em desenvolvimento, e não de um tradutor universal de Libras já disponível para utilização cotidiana.
A tradução automática de uma língua envolve aspectos linguísticos, culturais e contextuais que não podem ser reduzidos simplesmente à substituição de palavras por sinais.

Por isso, os resultados apresentados até agora devem ser entendidos como etapas de uma pesquisa que procura ampliar as possibilidades de comunicação e acessibilidade por meio da inteligência artificial.
A Unicamp mantém atualmente diferentes iniciativas relacionadas à IA e criou uma estrutura institucional dedicada ao tema. Segundo a universidade, seus projetos nessa área abrangem pesquisa, ensino, extensão e inovação.
Fonte: informações divulgadas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo CCD/Taal. Fotos: Lúcio Camargo/Unicamp

