Sarampo avança em SP: veja quem precisa tomar a vacina em Campinas
Campinas não registra casos confirmados desde 2021, mas circulação do vírus no Estado reforça alerta para atualização da tríplice viral; vacina é gratuita e não exige agendamento
O avanço dos casos de sarampo no Estado de São Paulo voltou a chamar a atenção para uma doença que pode ser evitada pela vacinação. Campinas não registra casos confirmados desde 2021, mas a circulação do vírus em municípios paulistas levou as autoridades de saúde a reforçar a importância de conferir a caderneta e completar as doses da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
São Paulo soma 23 casos confirmados em 2026, segundo dados divulgados pelas autoridades de saúde. A maior concentração está na capital, com registros também em Guarulhos e São Bernardo do Campo. Diante da identificação de uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus, o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a vacinação nesses três municípios para pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal.
A medida é específica para as áreas onde foi identificada a circulação do vírus. Em Campinas, a orientação é manter atualizado o esquema previsto no Calendário Nacional de Vacinação e procurar uma unidade de saúde em caso de dúvida sobre as doses já recebidas.
Busca ativa de 11,8 mil crianças
A atenção em Campinas está concentrada principalmente na vacinação infantil. A Secretaria Municipal de Saúde identificou 11.837 crianças de até 4 anos com possíveis pendências nos registros das vacinas tríplice viral ou tetraviral no e-SUS e iniciou uma verificação caso a caso.
O número não significa que todas essas crianças estejam sem vacina. Há situações em que a dose foi aplicada, mas o registro precisa ser confirmado ou atualizado. As equipes dos Centros de Saúde analisam os cadastros e entram em contato com as famílias quando é necessário conferir a caderneta ou completar o esquema vacinal.
A mobilização coincide com a campanha de multivacinação realizada em Campinas até 1º de setembro. Além dos Centros de Saúde, equipes percorrem cerca de 60 escolas municipais e estaduais para verificar e atualizar a vacinação de crianças e adolescentes.
Os últimos índices consolidados divulgados para Campinas, referentes a 2025, mostram que a cobertura da primeira dose da tríplice viral chegou a 98,30%, acima da meta de 95% do Programa Nacional de Imunizações. Na segunda dose, porém, o índice ficou em 92,41%, abaixo da meta.

Quem precisa se vacinar
No calendário de rotina, a primeira dose contra o sarampo é aplicada aos 12 meses. Aos 15 meses, a criança recebe a segunda dose prevista para a faixa etária. Pessoas de 5 a 29 anos que não tenham comprovação do esquema completo precisam de duas doses; dos 30 aos 59 anos, é necessária uma dose comprovada. Para trabalhadores da saúde, são recomendadas duas doses, independentemente da idade.
A vacinação de rotina não é indicada para pessoas com 60 anos ou mais. Segundo o Ministério da Saúde, esse grupo viveu em um período de intensa circulação do sarampo e apresenta elevada probabilidade de já ter adquirido imunidade. Em situações específicas de exposição, no entanto, a necessidade de vacinação pode ser avaliada por um profissional de saúde.
Quem perdeu a caderneta ou não sabe se recebeu as doses recomendadas deve procurar um Centro de Saúde. A rede municipal orienta que a pessoa leve documento oficial de identificação e a carteira de vacinação, caso ainda a tenha. Se a carteira foi perdida, uma nova pode ser fornecida pela unidade. A Prefeitura mantém ainda o Vacina Campinas, com informações sobre imunização e os serviços oferecidos pela rede municipal.
A chamada dose zero, destinada a bebês de 6 a 11 meses, é uma estratégia adicional adotada diante de determinadas situações epidemiológicas. Ela não substitui as doses do calendário de rotina: mesmo depois de receber a dose zero, a criança deve ser vacinada novamente nas idades previstas. A estratégia pode ser adotada em áreas de circulação do vírus ou em ações de bloqueio determinadas pela vigilância epidemiológica.
A tríplice viral utiliza vírus vivos atenuados e exige atenção em algumas situações. Gestantes não devem receber a vacina durante a gravidez. Pessoas com imunossupressão precisam de avaliação profissional, já que a indicação depende da condição clínica e do grau de comprometimento do sistema imunológico.
Uma doença altamente transmissível
O sarampo é transmitido pelo contato com secreções respiratórias eliminadas ao falar, tossir ou espirrar. Febre, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite estão entre os principais sintomas. Diante de uma suspeita, a orientação é procurar atendimento de saúde e evitar contato com outras pessoas até avaliação profissional.
Mesmo sem casos confirmados em Campinas desde 2021, a Vigilância Epidemiológica mantém protocolos para identificação e investigação de casos suspeitos. A Secretaria de Saúde também reforçou neste ano as orientações aos serviços públicos e privados e reuniu hospitais da cidade para revisar procedimentos de atendimento diante da possibilidade de casos de sarampo.
Onde tomar a vacina contra o Sarampo em Campinas
A vacinação é gratuita e não exige agendamento. Para receber a tríplice viral, o morador pode procurar uma sala de vacinação da rede municipal. Não é necessário se restringir ao Centro de Saúde responsável pelo bairro onde mora: a vacinação pode ser feita em outra unidade que tenha o imunizante disponível.
Antes de sair de casa, o morador pode consultar a disponibilidade das vacinas nos Centros de Saúde e verificar os locais e horários das salas de vacinação, já que os horários podem variar entre as unidades.
Quem tiver dúvida sobre quais doses precisa receber também pode procurar a equipe da unidade com a documentação disponível. A orientação, diante do aumento dos casos no Estado, é conferir a situação vacinal e completar as doses indicadas para cada faixa etária.

