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Empresas começam a enfrentar efeito colateral da IA: comunicação de marcas fica cada vez mais parecida

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Uso sem estratégia da inteligência artificial torna marcas genéricas e enfraquece a conexão com o público e este risco cresce entre empreendedoras que dependem das redes sociais para vender

A inteligência artificial já faz parte da rotina de micro e pequenas empresas no Brasil, especialmente na produção de conteúdo e no marketing digital. No entanto, o uso automático e sem direcionamento estratégico começa a revelar um efeito colateral preocupante: a padronização da comunicação.

Com a popularização da tecnologia, a IA passou a fazer parte da rotina de micro e pequenas empresas no Brasil, principalmente na produção de conteúdo e no marketing digital. Dados do Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que 44% dos pequenos negócios já utilizam ferramentas de inteligência artificial, enquanto 43% dos profissionais em pequenas e médias empresas usam a tecnologia no trabalho. Entre os entrevistados, 85% afirmam perceber aumento de produtividade.

Empreendedores que utilizam inteligência artificial para produzir conteúdo sem adaptação estratégica podem acabar enfraquecendo a identidade da marca e afastando clientes nas redes sociais. O alerta é da especialista em marketing e educadora em inteligência artificial aplicada a negócios Alessandra Quaglio, que observa um crescimento do chamado “copiar e colar” de conteúdos gerados por IA entre pequenos negócios.

Apesar da adesão crescente, o uso estratégico ainda é limitado. Apenas 15% das empresas utilizam a inteligência artificial de forma frequente e estruturada no dia a dia, o que contribui para a repetição de formatos e linguagens semelhantes nas redes sociais.

Segundo Alessandra Quaglio, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é aplicada. “Quando todo mundo usa a IA da mesma maneira, o resultado é uma comunicação padronizada. A marca perde personalidade e a conexão com o público diminui, mesmo que isso aconteça de forma inconsciente”, afirma.

De acordo com a especialista, o fenômeno é ainda mais perceptível entre mulheres empreendedoras que utilizam as redes sociais como principal canal de vendas. Nesse contexto, a comunicação costuma ser um dos principais diferenciais competitivos.

“Empreendedoras vendem muito pela conexão com o público. Se o conteúdo passa a parecer genérico ou impessoal, isso pode afetar diretamente a relação com o cliente”, explica.

O debate surge em um momento de rápida expansão da inteligência artificial nas empresas brasileiras. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o uso da tecnologia no setor industrial mais que dobrou em dois anos, passando de 16,9% para 41,9%.

Para Alessandra, a tendência é que a IA continue ganhando espaço no marketing e na comunicação digital, mas o diferencial estará no uso estratégico da ferramenta. “A inteligência artificial pode acelerar processos e ampliar a produção de conteúdo, mas ela precisa ser orientada. O material precisa refletir a história, os valores e a voz da marca. A tecnologia deve potencializar a comunicação, não substituir a identidade do negócio”, diz.

Segundo a especialista, cresce entre empreendedores o conceito de “IA humanizada”, abordagem que propõe utilizar a tecnologia como apoio estratégico sem abrir mão da autenticidade. “O desafio dos pequenos negócios não será apenas usar inteligência artificial, mas saber utilizá-la com personalidade e estratégia”, conclui.

SOBRE ALESSANDRA QUAGLIO

Especialista em marketing e educadora de inteligência artificial, Alessandra Quaglio soma mais de 30 anos de experiência em multinacionais, com atuação estratégica e responsabilidade por operações em 17 países. Após essa trajetória, tornou-se empreendedora ao fundar uma micro padaria artesanal, utilizada como laboratório prático para o desenvolvimento e aplicação de estratégias de marketing e uso de IA no dia a dia dos pequenos negócios. Atualmente, ela orienta empreendedores no uso estratégico da IA para comunicação digital, difundindo o conceito de “IA humanizada”, que alia tecnologia à autenticidade e à conexão com o público, e ministra aulas no curso Gestão 360.

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