Finados
Flores continuam em alta para lembrar quem partiu e vendas devem aumentar 5,2% na data
Embora muita gente ainda deposite flores nos túmulos, nos cemitérios, os hábitos vêm mudando ao longo dos últimos anos. No Dia de Finados, as pessoas continuam homenageando seus mortos com flores, mas os lugares escolhidos para essa homenagem também estão sendo os espaços junto aos porta-retratos, em jardins, varandas e outros locais que fizeram parte da vida de quem partiu, criando pequenos espaços de memória.
A ideia é simples e carregada de um forte significado: fazer com que aquele que já se foi continue presente nos lugares onde esteve em vida. Essa proposta vem sendo trabalhada há alguns anos pelo Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floricultura -, no Dia de Finados (2 de novembro), para incrementar o comércio de flores na data, em todo o país. Graças a isso, a venda anual de flores e plantas ornamentais para a ocasião deve representar 8% em 2026.
“A flor deixa de ser apenas uma homenagem no túmulo e passa a integrar o cotidiano da família, ao lado de fotografias, objetos e lembranças que ajudam a manter viva a história de quem morreu”, explica Renato Opitz, diretor do Ibraflor. De acordo com ele, este ano as vendas devem aumentar cerca de 5,2% em relação a 2025. As mais procuradas para a data continuam sendo os crisântemos, kalanchoes, antúrios, rosas em vaso, rosas do deserto, violetas e orquídeas phalaenopsis.
Possibilidades ampliadas
A homenagem continua sendo feita com flores, mas elas podem estar em qualquer lugar. Uma árvore pode ser plantada no jardim em memória de alguém. Um vaso pode ocupar a varanda onde a pessoa costumava passar as tardes. Um canteiro pode reunir as flores de que ela gostava. Dentro de casa, um arranjo pode ser colocado ao lado de um porta-retrato, transformando aquele pequeno espaço em um lugar permanente de lembrança.
Isso não significa deixar de visitar o cemitério ou abandonar uma tradição construída ao longo de gerações. Significa ampliar o lugar da memória. Para muitas famílias, o cemitério guarda o corpo de quem partiu, mas a vida dessa pessoa aconteceu em outros lugares: na casa onde criou os filhos, no jardim que cultivava, na cozinha onde preparava as refeições, na varanda onde recebia amigos, no sítio, na praça, na praia ou em tantos outros espaços que fizeram parte de sua história. É nesses lugares que a memória também permanece. Por isso, colocar flores nesses ambientes pode ser uma forma de aproximar a lembrança da vida cotidiana. Em vez de a homenagem acontecer somente uma vez por ano e em um único endereço, ela pode permanecer ali, todos os dias, acompanhando a família.
Sobre Finados
A data faz parte do calendário cristão e é dedicada à memória dos fiéis falecidos. Sua origem remonta à Idade Média. A tradição cristã de rezar pelos mortos existe desde os primeiros séculos do cristianismo, sendo que a data específica é atribuída ao monge beneditino Odilo, abade de Cluny, na França. Em 998, ele determinou que os mosteiros ligados à sua ordem dedicassem o dia 2 de novembro (logo depois do Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro) às orações pelos mortos. A prática se espalhou gradualmente por outros territórios e, posteriormente, foi incorporada ao calendário da Igreja Católica.
Por que levar flores aos mortos?
A tradição de colocar flores nos túmulos é anterior ao próprio Dia de Finados e aparece em diferentes culturas e épocas. As flores sempre estiveram associadas à vida, à beleza, à renovação e também à passagem do tempo. Por isso, tornaram-se um dos símbolos mais delicados para expressar sentimentos diante da morte. No Brasil, registros do século XIX já relatavam o costume de levar flores aos cemitérios no Dia de Finados. Em alguns casos, eram utilizadas flores cultivadas nos próprios jardins das famílias e até espécies que haviam sido apreciadas pela pessoa falecida. Esse detalhe ajuda a explicar por que a relação entre flores e memória permanece tão forte.

