Meio Ambiente

Jovens de Campinas criam projetos para enfrentar impactos das mudanças climáticas

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Iniciativas no Campo Belo, Campo Grande, Parque Oziel e Parque Itajaí envolvem tecnologia, moda sustentável, cultura e agroecologia

Jovens de diferentes regiões de Campinas começaram a colocar em prática quatro projetos voltados aos impactos das mudanças climáticas no cotidiano das periferias. As iniciativas envolvem produção de dados sobre alagamentos e ilhas de calor, reaproveitamento de roupas, atividades de Hip-Hop e ações ligadas à agroecologia e alimentação.

Os projetos são desdobramentos da pesquisa JUCAMP — Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas — e estão sendo desenvolvidos no Campo Belo, Campo Grande, Parque Oziel e Parque Itajaí. Cada iniciativa recebeu R$ 15 mil, além de suporte técnico em gestão e comunicação.

O levantamento que deu origem às ações apontou que 58% dos jovens ouvidos têm suas expectativas de futuro afetadas pela emergência climática. Entre os problemas relatados, 73% disseram enfrentar dificuldades com o transporte coletivo durante chuvas fortes, 75% citaram falta de energia elétrica em períodos de ventania e 70% relataram interrupções no acesso à internet.

Tecnologia para mapear problemas do bairro

No Campo Belo, o coletivo Assaltar as Nuvens desenvolve o projeto Cartografia Climática Periférica. A proposta é capacitar jovens para utilizar tecnologia de código aberto e produzir dados sobre problemas ambientais do próprio território.

O grupo trabalha na estruturação de servidores autônomos e painéis de visualização destinados ao mapeamento de pontos de alagamento, ilhas de calor e locais com acúmulo irregular de resíduos.

Segundo João Augusto Paranhos, idealizador do coletivo, a produção de dados pelos próprios moradores pode dar maior precisão às informações sobre as vulnerabilidades existentes no bairro e criar instrumentos para reivindicar soluções do poder público.

Hip-Hop e direito à cidade

No Campo Grande, o Cursinho Popular Responsa! desenvolve o projeto Rima e Território: Quem Tem Direito à Cidade?, direcionado a 80 estudantes do pré-vestibular e trabalhadores, incluindo entregadores de aplicativos expostos a situações de calor extremo durante a jornada.

A programação prevê seis sábados de atividades sobre temas como racismo ambiental e dinâmica urbana, além da participação de MCs da Batalha do Cálice. O ciclo termina com uma batalha de rimas aberta à comunidade e prevista para reunir 16 MCs da Região Metropolitana de Campinas.

Moda sustentável no Oziel

Nos bairros Oziel, Monte Cristo e Gleba-B, o projeto OMG — Moda Sustentável estruturou um ateliê-escola voltado ao upcycling, processo que transforma materiais descartados em novos produtos.

A iniciativa prevê o reaproveitamento de cerca de 200 peças de vestuário e a capacitação de 30 jovens em costura, customização e modelagem. Além da discussão sobre descarte têxtil, o projeto pretende trabalhar possibilidades de geração de renda a partir da economia circular.

As peças produzidas pelos participantes deverão ser apresentadas em uma mostra comunitária.

Agroecologia e cultura no Parque Itajaí

No Parque Itajaí, o Coletivo NaViela reúne cultura, comunicação popular, agroecologia e alimentação no projeto Samba na Horta.

A segunda edição do encontro foi realizada em 30 de agosto e, segundo os organizadores, recebeu cerca de 300 pessoas. A programação teve rodas de conversa com jovens e participação de iniciativas locais, entre elas Horta Comunitária do Itajaí, Cultura na Base e Vegano Periférico.

As discussões abordaram direito à cidade, cuidado comunitário e soberania alimentar diante dos impactos ambientais nas periferias.

Os quatro projetos foram selecionados pelo Edital JUCAMP. A iniciativa está relacionada ao levantamento desenvolvido pelas organizações Em Movimento, Minha Campinas, Fundação FEAC e Rede Conhecimento Social.