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Com Lula, convenção em Campinas oficializa Haddad para disputar o governo de São Paulo

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Evento realizado no Clube Concórdia, em Sousas, reuniu lideranças nacionais e colocou o interior paulista no centro da estratégia eleitoral da aliança

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado, 25 de julho, em Campinas, da convenção estadual que oficializou Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo. Realizado no Ginásio Poliesportivo do Clube Concórdia, em Sousas, o evento reuniu algumas das principais lideranças políticas do país.

Também participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet, além de dirigentes partidários, parlamentares, candidatos, representantes de movimentos sociais e militantes vindos de diferentes regiões do estado.

Entre as lideranças locais presentes estavam as vereadoras Fernanda Souto e Mariana Conti, do PSOL; Guida Calixto e Paolla Miguel, do PT; e o vereador Gustavo Petta, do PCdoB. A participação dos parlamentares campineiros reforçou a mobilização dos partidos da aliança no município e a importância atribuída à região na estratégia eleitoral para 2026.

A chapa terá Márcio França como candidato a vice-governador. Para as duas vagas de São Paulo no Senado, a aliança apresentará Marina Silva e Simone Tebet. A convenção também homologou candidaturas à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e à Câmara dos Deputados.

A realização do encontro em Campinas marcou a primeira convenção estadual do PT para uma candidatura majoritária promovida no interior paulista. Mais do que uma escolha geográfica, a decisão revelou uma das prioridades da campanha: ampliar a presença do partido fora da capital e reduzir a vantagem eleitoral que seus adversários mantêm em grande parte do interior.

Lula em Campinas coloca interior no centro da disputa

Campinas possui o terceiro maior eleitorado do estado, com aproximadamente 870 mil eleitores, e exerce influência econômica e política sobre uma ampla região. A localização também facilitou a chegada de delegações da capital, do litoral e de diferentes cidades do interior.

A convenção estava inicialmente prevista para Ribeirão Preto. A coordenação da campanha, porém, optou por Campinas por considerá-la mais acessível e capaz de reunir um público maior, sem abandonar o simbolismo de iniciar a disputa estadual fora da capital.

Nas eleições de 2022, Haddad venceu Tarcísio de Freitas na cidade de São Paulo, mas perdeu em grande parte dos municípios do interior, incluindo Campinas.

A escolha da cidade indica que a campanha pretende enfrentar diretamente essa dificuldade. Haddad precisará ampliar o diálogo com eleitores de centro e com segmentos que tradicionalmente demonstram maior resistência ao PT para tornar a eleição estadual mais equilibrada.

A presença de Lula em Campinas também reforçou a importância estratégica do estado para a disputa presidencial. São Paulo possui o maior colégio eleitoral do país e será determinante para o projeto de reeleição do presidente.

Aliança reúne partidos de diferentes campos

A convenção foi realizada pela federação formada por PT, PCdoB e PV. A aliança estadual também reúne PSB, Rede, PSOL e PDT, cujas participações e candidaturas serão formalizadas em convenções próprias, conforme determina a legislação eleitoral.

A composição procura apresentar uma frente política mais ampla do que o campo tradicional do PT. Márcio França e Simone Tebet estão filiados ao PSB, Marina Silva pertence à Rede e Geraldo Alckmin, também do PSB, aparece como uma das principais lideranças encarregadas de aproximar a campanha de setores mais moderados do eleitorado paulista.

A presença conjunta de Lula, Alckmin, Haddad, França, Marina e Tebet transformou a convenção estadual em uma demonstração de unidade da base governista.

Embora o evento tenha como objetivo principal oficializar a candidatura ao governo estadual, a eleição em São Paulo é considerada estratégica para a campanha nacional. Para o PT, construir um palanque competitivo no estado pode ser determinante para o desempenho de Lula na disputa pela Presidência da República.

Haddad busca ampliar presença no interior

A candidatura de Haddad foi definida depois de meses de negociações dentro do PT. Inicialmente, o ex-ministro demonstrava resistência em disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes e avaliava outras possibilidades para as eleições de 2026.

A decisão foi tomada depois de conversas com Lula e com a direção nacional do partido. A avaliação interna é de que o presidente precisa contar com uma candidatura competitiva em São Paulo, capaz de sustentar a campanha durante todo o período eleitoral.

Haddad disputou o governo paulista em 2022 e chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Tarcísio de Freitas. Seu melhor desempenho ocorreu na capital e em alguns municípios da Região Metropolitana, enquanto o atual governador conquistou ampla vantagem no interior.

Campinas aparece, portanto, como ponto de partida para uma campanha que tentará reduzir essa diferença. A escolha do município também procura associar a candidatura a temas como inovação, desenvolvimento econômico, universidades, indústria e produção científica.

Segurança, serviços públicos e economia

Embora o programa completo de governo de Haddad deva ser apresentado em agosto, a campanha deverá concentrar suas propostas em segurança pública, fortalecimento dos serviços públicos, desenvolvimento econômico, geração de empregos e retomada dos investimentos estaduais.

Na área da segurança, aliados do candidato defendem mudanças na política das câmeras corporais utilizadas pela Polícia Militar, maior integração entre as forças de segurança e ampliação dos investimentos em inteligência policial e tecnologia.

A campanha também pretende fazer oposição ao processo de privatização conduzido pelo governo de Tarcísio de Freitas, especialmente em áreas consideradas essenciais. A venda da Sabesp e a qualidade dos serviços públicos deverão ocupar espaço nos debates eleitorais.

Questões nacionais, como reindustrialização, geração de empregos e tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, também devem aparecer nos discursos da aliança.

Disputa estadual começa pelo interior

A oficialização de Haddad acontece em um cenário desafiador. Pesquisas eleitorais divulgadas antes da convenção apontam vantagem de Tarcísio de Freitas e mostram que o candidato petista ainda enfrenta índices elevados de rejeição.

A campanha aposta na experiência administrativa de Haddad, na presença de Lula e na composição de uma chapa formada por políticos com diferentes trajetórias para reduzir essa distância.

Para ampliar sua presença no interior, a aliança também deverá recorrer à atuação de Geraldo Alckmin e Márcio França, ambos ex-governadores de São Paulo e políticos com trânsito em setores que não se identificam diretamente com o PT.

Ao escolher Campinas para iniciar sua mobilização, a campanha reconhece que o caminho até o Palácio dos Bandeirantes não poderá ficar restrito à capital. A disputa pelo governo paulista passará necessariamente pelas grandes cidades do interior e pelas regiões metropolitanas.

Neste sábado, esse movimento começou por Sousas, com a participação de lideranças nacionais, parlamentares campineiros e representantes de diferentes regiões do estado. Durante algumas horas, o Ginásio do Clube Concórdia transformou Campinas em um dos principais centros da política nacional.

As imagens que acompanham esta reportagem foram registradas durante o evento pela Gazeta da Metrópole.

Foto: Álvaro Jr./Gazeta da Metrópole