Agosto Lilás: empresas também têm papel na prevenção da violência contra a mulher
O Agosto Lilás amplia, durante todo o mês, a discussão sobre o enfrentamento à violência contra a mulher e reforça a importância da conscientização e da prevenção. Instituída nacionalmente pela Lei nº 14.448/2022, a campanha também abre espaço para que as empresas reflitam sobre o papel que desempenham na construção de ambientes profissionais mais seguros, respeitosos e acolhedores.
Embora o combate à violência contra a mulher ultrapasse os limites do ambiente corporativo, as organizações podem contribuir para a prevenção por meio de informação, políticas internas, preparação das lideranças e fortalecimento de uma cultura baseada no respeito.
Para Sameila Brandão, especialista em Recursos Humanos, o ambiente corporativo deve ser parte dessa transformação. “O ambiente de trabalho precisa ser um espaço de respeito, segurança e dignidade. O RH tem um papel importante na orientação das equipes, na preparação das lideranças e na construção de uma cultura que não normalize nenhum tipo de violência ou comportamento abusivo”, afirma.
Nesse contexto, o RH tem uma atuação que vai além das rotinas administrativas. A área pode contribuir para o desenvolvimento de políticas de prevenção, ações de comunicação interna, treinamentos e iniciativas de conscientização que ajudem os colaboradores a reconhecer situações de violência, assédio e comportamentos abusivos.
A preparação das lideranças também é fundamental. Gestores estão próximos das equipes e podem ser os primeiros a identificar mudanças de comportamento ou situações que indiquem que uma colaboradora está enfrentando algum tipo de violência. Por isso, precisam estar preparados para ouvir, acolher e orientar de maneira responsável, respeitando os protocolos e canais existentes na organização.
A Lei nº 14.457/2022, que instituiu o Programa Emprega + Mulheres, também estabelece medidas relacionadas à prevenção e ao combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no ambiente de trabalho, reforçando a responsabilidade das organizações na promoção de espaços profissionais mais seguros.
Para a mentora e palestrante Cássia Gargantini, que atua com comunicação, diversidade e relações intergeracionais, a conscientização precisa ser incorporada à cultura das organizações e não ficar restrita às campanhas do calendário. “Falar sobre violência contra a mulher é também falar sobre comunicação, respeito e responsabilidade. A empresa precisa criar espaços em que as pessoas possam se sentir seguras para falar e, principalmente, saber que serão ouvidas. Uma cultura de respeito se constrói todos os dias, nas pequenas atitudes e na forma como as relações são conduzidas”, destaca.
Campanhas como o Agosto Lilás podem, portanto, ser utilizadas pelas empresas como ponto de partida para ampliar o diálogo com colaboradores e lideranças. Palestras, rodas de conversa, materiais educativos e treinamentos são algumas das iniciativas que podem contribuir para transformar informação em atitudes concretas.
Mais do que uma ação pontual, o período representa uma oportunidade para as organizações avaliarem suas próprias práticas, fortalecerem seus canais de acolhimento e prevenção e estimularem relações profissionais baseadas em respeito e dignidade. Afinal, combater a violência contra a mulher também passa pela construção de ambientes em que nenhuma forma de abuso seja naturalizada ou silenciada.

