Brasil empata com Marrocos, mas ausência de Endrick aumenta pressão sobre Ancelotti
Seleção estreia na Copa com atuação irregular, depende de brilho de Vinicius Jr. e vê decisão do treinador italiano virar alvo de questionamentos
A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 deixou mais dúvidas do que certezas. Diante de um organizado Marrocos, o Brasil ficou apenas no empate por 1 a 1, em Nova Jersey, e precisou de um golaço de Vinicius Júnior para evitar uma derrota logo na abertura do Grupo C. Mais do que o resultado, porém, uma decisão de Carlo Ancelotti passou a dominar o debate entre torcedores e analistas: a permanência de Endrick no banco de reservas durante os 90 minutos.
O Brasil fez um primeiro tempo preocupante. Nervosa, lenta e desorganizada, a equipe ofereceu espaços ao adversário e viu Ismael Saibari abrir o placar para os marroquinos em uma jogada de contra-ataque. O empate veio graças ao talento individual de Vinicius Júnior, que acertou um belo chute para recolocar os brasileiros na partida. Ainda assim, a atuação coletiva esteve longe de convencer.
Percebendo os problemas, Ancelotti promoveu mudanças no intervalo. As entradas de Danilo e Fabinho deram mais equilíbrio ao time, enquanto alterações no setor ofensivo melhoraram a movimentação da equipe. O Brasil cresceu na segunda etapa, mas continuou encontrando dificuldades para transformar posse de bola em chances claras de gol.
Foi justamente nesse contexto que a ausência de Endrick ganhou ainda mais peso. Com dificuldades para furar a defesa marroquina e sem um atacante capaz de atacar os espaços com agressividade, a Seleção viu o jovem de 19 anos assistir à partida inteira do banco. A decisão chamou atenção porque o atacante vinha de boa sequência com a camisa amarela e havia sido decisivo no amistoso preparatório contra o Egito, alimentando a expectativa de que pudesse ser uma alternativa importante durante o Mundial.
Nas arquibancadas, o nome de Endrick chegou a ser pedido por parte da torcida. Na entrevista coletiva, Ancelotti evitou comentar especificamente a escolha. Questionado sobre a ausência do atacante, o treinador respondeu que não falaria sobre individualidades e preferiu concentrar suas avaliações no desempenho coletivo da equipe.
A postura do treinador, entretanto, dificilmente encerrará a discussão. Em um jogo em que o Brasil careceu de profundidade, velocidade e presença de área, a opção por não utilizar uma das principais promessas do futebol brasileiro parece contraditória. Ainda mais quando a equipe demonstrava dificuldades evidentes para criar oportunidades contra uma defesa bem posicionada.
Ancelotti tem razão ao afirmar que a Copa do Mundo não é decidida na primeira rodada. O empate não compromete a classificação brasileira, mas serve como alerta. E, para muitos, a principal lição da estreia é clara: em uma Seleção que busca renovação, deixar Endrick no banco durante toda a partida pareceu uma oportunidade desperdiçada.
Agora, diante do Haiti, o treinador italiano terá a chance de corrigir rumos e responder, dentro de campo, à pergunta que ficou ecoando após o apito final: se o Brasil precisava de um gol para vencer, por que Endrick não entrou?
Fonte: Fifa.com

