Espanha anula a Argentina, decide na prorrogação e conquista o bicampeonato do mundo
Ferran Torres marca no início do segundo tempo da prorrogação e coroa uma atuação de amplo domínio espanhol sobre a atual campeã mundial
Existem finais decididas por um lance. Outras são decididas por um jogador. A Copa do Mundo de 2026 terminou sendo decidida por uma ideia de futebol.

Durante praticamente 120 minutos, a Espanha controlou a posse de bola, ocupou o campo ofensivo, reduziu os espaços da Argentina e transformou Emiliano Martínez no personagem mais importante da equipe sul-americana. O goleiro resistiu enquanto pôde. Mas nem ele foi capaz de impedir o desfecho inevitável.

Logo no primeiro minuto do segundo tempo da prorrogação, Nico Williams escorou de cabeça um cruzamento pela direita e Ferran Torres apareceu para finalizar de primeira, sem chances para Dibu Martínez. O gol garantiu a vitória por 1 a 0 e o segundo título mundial da história da seleção espanhola.
Foi o prêmio para quem mais procurou o jogo.
A Argentina chegou à decisão embalada pela campanha consistente e pela experiência de uma geração campeã do mundo, mas passou boa parte da final tentando sobreviver. Messi encontrou pouco espaço para organizar as jogadas, Julián Álvarez quase não recebeu bolas em condições de finalizar e a equipe de Lionel Scaloni terminou a decisão sem acertar um chute sequer na direção do gol defendido por Unai Simón.
Enquanto isso, a Espanha empilhava oportunidades.
Lamine Yamal foi o primeiro a exigir uma grande defesa de Emiliano Martínez. Depois vieram Oyarzabal, Cucurella, Dani Olmo, Álex Baena e o próprio Ferran Torres. A cada intervenção do goleiro argentino aumentava a impressão de que o jogo caminhava para um roteiro injusto, daqueles em que quem domina acaba castigado.

A resistência argentina ganhou contornos ainda mais dramáticos nos acréscimos do segundo tempo. Enzo Fernández recebeu o segundo cartão amarelo e deixou a equipe com um jogador a menos para toda a prorrogação.
Mesmo assim, a campeã de 2022 continuou lutando.
Dibu Martínez voltou a salvar a Argentina em pelo menos duas oportunidades no tempo extra. Nico Williams chegou a balançar as redes, mas o lance foi anulado por falta na origem da jogada. Pouco depois, Mikel Merino desperdiçou talvez a melhor oportunidade da partida.
Era como se a bola se recusasse a entrar.
Até que entrou.
Na vigésima finalização espanhola, Pedro Porro levantou a bola na área, Nico Williams escorou de cabeça e Ferran Torres apareceu no lugar certo para acertar um chute forte de canhota e colocar definitivamente a Espanha no topo do futebol mundial.
O bicampeonato coroou uma campanha praticamente perfeita. A equipe comandada por Luis de la Fuente terminou a Copa invicta, sofreu apenas um gol durante todo o torneio e confirmou uma geração capaz de unir talento, intensidade e maturidade tática.
Lamine Yamal, aos 19 anos, consolidou-se como uma das grandes estrelas do futebol mundial. Rodri voltou a comandar o meio-campo com autoridade. Nico Williams foi decisivo pelos lados. E Ferran Torres escreveu seu nome na história ao marcar o gol que valeu uma Copa do Mundo.
Para a Argentina, ficou o reconhecimento por mais uma campanha de alto nível e pela segunda final consecutiva em Mundiais. O sonho do tetracampeonato, entretanto, precisará esperar até 2030.
O placar mostrou apenas 1 a 0.
A atuação contou uma história bem diferente.
A Espanha foi campeã porque foi superior do primeiro ao último minuto da decisão.

