Quase mandei praquele lugar
O carro veio da esquerda, entrou na minha frente e me obrigou a pisar no freio.
Buzinei.
O motorista seguiu como se nada tivesse acontecido.
Fiquei puto.
No semáforo seguinte, parou ao meu lado.
Ótimo.
Baixei o vidro. Ele baixou o dele.
— Marcelo?
O filho da puta tinha nome.
— Rapaz! Quanto tempo!
Sorriu como se não tivesse acabado de entrar na minha frente.
— Tudo bem?
— Tudo. E você?
— Tudo certo.
— Precisamos marcar alguma coisa.
— Precisamos.
O sinal abriu.
— Abraço!
— Abraço!
No próximo semáforo, Marcelo estava na faixa ao lado. Deu seta para entrar na minha.
Dessa vez, eu diminuí e dei espaço.
Marcelo entrou na minha frente e levantou a mão pelo retrovisor. Levantei a minha.
Duas quadras depois, Marcelo virou à direita.
Antes de virar, buzinou duas vezes.
Eu buzinei de volta.
Dessa vez, a buzina queria dizer outra coisa.

