Brasil alcança o maior IDH da história e entra pela primeira vez no grupo de países de muito alto desenvolvimento humano
Relatório divulgado pela ONU aponta que índice brasileiro atingiu 0,805 em 2024, o melhor resultado já registrado no país
O Brasil atingiu um marco histórico em seu desenvolvimento social. Dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostram que o país alcançou, em 2024, um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, ingressando pela primeira vez na faixa considerada de “muito alto desenvolvimento humano”. O resultado representa o melhor desempenho já registrado na série histórica do indicador.

Lançamento do Radar IDHM – Foto: Ruy Castro ASCOM – SGPR
O levantamento faz parte do estudo Radar IDHM 2024, lançado em Brasília pelo PNUD em parceria com instituições federais. O índice mede a qualidade de vida da população a partir de três dimensões fundamentais: renda, educação e longevidade. Na escala utilizada pelo organismo internacional, índices acima de 0,800 são classificados como de muito alto desenvolvimento humano.

Legenda: Da esquerda para direita: Claudia Guimarães, coordenadora da Fundação João Pinheiro; Marcio Pochmann, presidente do IBGE; e Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil.
Foto: © PNUD Brasil
A evolução brasileira foi significativa ao longo da última década. Em 2012, o IDHM nacional era de 0,744. Em 2024, o indicador chegou a 0,805, registrando crescimento de 8,2% no período. Segundo o PNUD, os avanços foram impulsionados principalmente pela ampliação do acesso à educação, pela melhoria dos indicadores sociais e pela expansão de políticas públicas de inclusão e transferência de renda.
Apesar da conquista, o relatório destaca que o país ainda enfrenta importantes desafios. As desigualdades raciais, regionais e de renda continuam impactando os resultados. Enquanto a população branca alcançou índice de 0,851, considerado muito alto, a população negra registrou 0,774, permanecendo na faixa de alto desenvolvimento humano. Diferenças também aparecem entre regiões do país, com estados do Sul, Sudeste e o Distrito Federal apresentando indicadores superiores à média nacional.
Outro dado relevante é que o avanço foi observado em praticamente todas as regiões brasileiras. O estudo aponta melhora consistente nos indicadores de educação e expectativa de vida, fatores que contribuíram diretamente para a elevação do índice nacional. O resultado coloca o Brasil em um novo patamar de desenvolvimento humano, embora especialistas ressaltem a necessidade de continuidade das políticas públicas para reduzir desigualdades históricas e consolidar os avanços obtidos.
Para o PNUD, a entrada do Brasil na categoria de muito alto desenvolvimento humano representa um marco importante, mas não significa o fim dos desafios. O relatório ressalta que a manutenção do crescimento dependerá da capacidade do país de ampliar oportunidades, reduzir disparidades sociais e garantir que os benefícios do desenvolvimento cheguem de forma mais equilibrada a toda a população.

